Deus, P醫ria e Fam韑ia


Maria Avelina Fuhro Gastal

Apesar de ter me casado na igreja, mesmo gr醰ida, mas o que vale s鉶 as apar阯cia e conven珲es, de ter batizado meus filhos, deles terem estudado por longo per韔do em escola cat髄ica, se considerarmos apenas a devo玢o a Deus, falhei.

Sem contar as de s閠imo dia, n鉶 lembro de ter levado meus filhos � missa. � igreja sim. Em momentos festivos como casamentos e missas de formatura. Talvez n鉶 conte a meu favor. Afinal, igreja n鉶 � sal鉶 de festas.

Tamb閙 n鉶 vou me chicotear. Valores crist鉶s eu tentei ensinar. Solidariedade, respeito ao pr髕imo, honestidade, compaix鉶 n鉶 eram valores negoci醰eis, eram premissas b醩icas na forma玢o deles. E eles aprenderam e, hoje, transmitem os mesmos valores.

Com rela玢o � P醫ria, tenho a certeza de n鉶 ter falhado. Eles sempre usaram o verde e amarelo em camisetas, biquinis, tops e bandeiras. Copa do Mundo era em grupo de amigos, todos fardados e festejando o Brasil ou, 鄐 vezes, lamentando, e at� xingando, por acreditar que o time n鉶 representava o nosso orgulho de sermos brasileiros.

Ouviam as discuss鮡s pol韙icas que caracterizavam a nossa fam韑ia. Aos dez anos, meu filho bradava o nome de Color, enquanto minha filha, com quatro anos, ficou ofendid韘sima quando eu disse que ela precisava entrar no banho para tirar o cloro da cabe鏰. Em l醙rimas, me respondeu: ─ 揈u n鉶 tenho Color na cabe鏰, s� Lula�. Eram crian鏰s, n鉶 sabiam o que diziam. Pior que n髎, adultos, tamb閙 desconhec韆mos as reais inten珲es al閙 dos discursos de campanha.

Sabendo ou n鉶 o que estavam repetindo, eles cresceram com a certeza de que a discuss鉶 sobre pol韙ica � pauta para quem se importa com a P醫ria.

Para alguns talvez f魋semos uma Fam韑ia falhada. Casamento desfeito, pai ausente, m鉫 com uma carga hor醨ia de trabalho incompat韛el com a maternidade, filhos sendo carregados para l� e para c�, deixados com empregadas, com av髎 e at� sozinhos quando j� tinham crescido e eu rezava para que nada acontecesse.

Mesmo no meio disso que pode parecer um caos, a nossa casa acolhia os amigos deles para brincar, jogar, comer, dormir. Para esses amigos eu era a tia Inha, para alguns uma 搎uase m鉫�. N鉶 foi s� dos meus filhos que acompanhei o crescimento, as d鷙idas, os conflitos, as inseguran鏰s, as escolhas, o amadurecimento.

Essas meninas e meninos que enchiam a minha casa de risadas, de barulho e de muita bagun鏰, hoje, s鉶 pais e m鉫s de meninos e meninas. Sempre me emociono quando estou com eles. Vejo na cena uma reuni鉶 do passado, do presente e do futuro. De um jeito n鉶 formal, eles todos s鉶 a minha fam韑ia.

Filhos crescidos, tanto os naturais quanto os acolhidos, � natural desconhecermos os adultos que s鉶 no dia a dia. Mas algumas certezas eu trago. Independente do campo ideol骻ico, eles n鉶 compactuam com a viol阯cia, com a mentira, com o desrespeito 鄐 mulheres, com o deboche 鄐 defici阯cias f韘icas ou intelectuais, com a indiferen鏰 � dor de uma m鉫 que teve a filha de 5 anos assassinada na porta de casa, com QUATRO tiros de fuzil, com o uso de influ阯cia para postergar a julgamento do acusado pelo crime. Somos pais, m鉫s e av髎 e nem conseguimos imaginar a dor de uma m鉫 que vela a filha h� anos, sem poder dar � crian鏰 e a si pr髉ria a paz que merecem. Paz para viver o luto, chorar a aus阯cia sem precisar gritar por justi鏰.

N鉶 cumpro os requisitos formais para falar em nome de Deus, da P醫ria e da Fam韑ia.
As minhas falhas e deslizes me d鉶 permiss鉶 para continuar transitando entre esse trip�, pois s鉶 elas que fazem de mim uma pessoa que n鉶 o utiliza para normalizar e aceitar o inconceb韛el.




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Maria Avelina Fuhro Gastal

E-mail: avelinagastal@hotmail.com

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