O curioso caso dos trumpriotas


Maria Avelina Fuhro Gastal

Que, muitas vezes, somos incoerentes, é fato.

Que acreditamos em mentiras repetidas à exaustão como se fossem verdades absolutas, é inegável.

Que, algumas vezes, a maioria de nós se atrapalha e faz bobagens, é da vida.

Quando tudo isso acontece o tempo todo com muitas pessoas, como chamamos?

Minha confusão me remete ao ano de 2018. O verde e amarelo deixou de ser do Brasil e passou a identificar um determinado grupo ideológico. Quem não se enrolava em verde e amarelo não merecia ser brasileiro.

Agora, em 2026, vejo o verde e amarelo misturado à bandeira norte americana. Tenho dificuldade de entender. Deixaram de ser brasileiros da gema? Sonham em ser gringos? Esquecem que, mesmo sem falar espanhol, somos latinos? Pensam que a mistura de cores vai liberar o green card ou pelo menos o visto? Os trumpriotas inventaram um patriotismo entreguista. Tentam ferrar o país e abrir as portas, e as riquezas, para o maior explorador e devastador do mundo.

Ainda fico mais confusa quando lembro do medo que tinham do Brasil virar a Venezuela. Como em menos de dez anos o medo virou desejo?

Um temor permanece e cresce. É o bicho papão dos adultos. Sabe aqueles pais manipuladores que assustam as crianças em vez de educá-las? Ameaçar com o comunismo tem o mesmo efeito. Em um país onde poucos detêm os meios de produção, trabalhadores, classe média, a maior parte da população pensa que vai perder o seu carro usado parcelado em 48 meses, ou o apartamento financiado em 25 anos, ou vai ter que dividir sua casa com mais duas famílias. Nada disso é meio de produção, mas não importa, pois a mentira repetida criou o bicho papão e eles usam e abusam dele para controlar os desinformados e os ingênuos.

Como fazer para que quem pega ônibus todos os dias, ganha um salário irrisório, trabalha em uma escala 6x1, vive em bairros periféricos compre a ideia de que será ouvido, respeitado e representado? Ou fazer aqueles que vivem melhor, mas são ainda empregados, trabalhadores informais ou autônomos, que em nada se beneficiam em zerar o imposto do jet sky, acreditarem que ainda chegarão lá?

A resposta é simples. Bradar contra o sistema e a corrupção. Quem se opõe a isso?

A pergunta que me fica é de qual sistema estão falando? Do mesmo que se beneficiaram por décadas? Querem a mudança ou o controle dele? Qual corrupção? Da mesma que permitiu que adquirissem 51 imóveis em dinheiro vivo? Ou aquela que possibilitou a compra de uma mansão no Lago Sul de Brasília, de 6,2 milhões em 2021, com entrada de 2,87 milhões e financiamento pelo BRB de 3,1 milhões, quitado em 2024? Ou das rachadinhas? Quem sabe daquela em investigação sobre o filme Dark Horse? Ou do “irmão” Vorcaro e suas relações próximas e afetuosas?

A segurança pública não é esquecida. Tanto que homenageia e se cerca de milicianos.

O mais assustador é que tudo isso parece não afetar aqueles que já foram e serão prejudicados, pois uma coisa é contar com o voto deles outra é governar pensando neles.

Penso que talvez possa ser efeito colateral da cloroquina, ou dos gases tóxicos aspirados na queima de pneus ou, ainda, radiações de celular diretas no cérebro na tentativa de fazer contato sei lá com quem ou com o quê. Tudo agravado pela ingestão de detergente.

Não encontro nenhuma palavra que dê conta dessa insensatez. Algumas se aproximam, mas não bastam. Outras se chocam, mas coexistem. Maldade, perversidade, desesperança, ignorância. Todas com grande potencial de agravamento se as mentiras vencerem, de novo.

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Maria Avelina Fuhro Gastal

E-mail: avelinagastal@hotmail.com

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