Maria Avelina Fuhro Gastal
O domingo amanheceu gelado, mas sem chuva.
Seis horas da manhã e o movimento de carros e pessoas já era intenso na esquina da minha casa.
Ir de carro o mais próximo possível do Pontal era impraticável. Três UBERS cancelaram a chamada em poucos minutos, o quarto apresentou uma tarifa que dava o total dos três primeiros. Exploração, não.
Da minha casa até o Pontal são cerca de 7km.
A distância da caminhada em que eu estava inscrita era de 3km. Somando os 7km para ir a pé, os 3km da prova, mais 7km para voltar, eu caminharia 17km. Há 6 meses seria tranquilo, hoje, pelo menos por enquanto, meu joelho não aguentaria.
Se fosse apenas por solidariedade, eu já havia contribuído com a causa ao pagar pela inscrição. Mas a Liga Run é muito mais do que isso.
A Liga Run é uma iniciativa solidária que combina esporte, saúde e solidariedade e tem como objetivo apoiar a Liga Feminina de Combate ao Câncer. Toda a arrecadação é destinada a ela.
Sintomas, exames, diagnóstico, intervenções, tratamentos, efeitos colaterais, angústia, medo, incerteza, dor, insegurança, remissão parcial, recidiva, remissão completa, janela de remissão completa e cura são passos de uma maratona sem preparo prévio e de longo trajeto, nem sempre vitorioso.
Quem entra nessa maratona se afasta dos seus sonhos, desconhece a sua vida, teme o presente e, ainda mais, o futuro. A única possibilidade é o enfrentamento, superando todos os receios e angústia na esperança de alcançar a linha de chegada da vida, da cura, da vitória sobre o câncer.
Em respeito aqueles que travam uma batalha diária para se manterem vivos, eu não poderia simplesmente não ir.
Nem sempre podemos fazer tudo o que queremos, mas podemos buscar um jeito de fazer um pouco mais para alcançar nossos desejos.
Saí de casa sabendo que não conseguiria ir até o Pontal. Não sabia nem até onde conseguiria. Apenas fui. A cada passo pensava como uma etapa vencida por solidariedade com aqueles que travam a luta diária pela vida. Entre a ida e a vinda, fiz 6km. Passos lentos, cuidadosos, inseguros, mas, ainda passos que me faziam avançar. Não cheguei nem perto do Pontal, não pude confraternizar com a equipe da Academia Via Corpus, não peguei a medalha de participação, mas, avancei.
Meu avanço foi por mim, foi por todos aqueles que se veem em uma maratona para a qual não se inscreveram.
Saia do sofá, dê alguns passos todos os dias, vá somando metros, quilômetros, níveis de saúde. Nunca sabemos que maratona iremos enfrentar, então é melhor se preparar da melhor maneira possível para que, caso ela chegue para nós, não nos pegue totalmente despreparados.
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