Maria Avelina Fuhro Gastal
O ano de 2027 começará com duas festas no mesmo dia.
A primeira, o tão festejado Reveillon. E, ainda sob efeito da ressaca, a segunda festa que é surpresa.
Todos nós, em algum momento da vida, já planejamos uma festa surpresa. Para que tivesse êxito, tomamos alguns cuidados:
1. dedicamos nosso tempo e energia organizando a festa para alguém que pensamos merecer ser reconhecido;
2. fizemos a lista de convidados considerando as relações do homenageado;
3. como não conhecíamos a todos, precisamos ter cuidado para não convidar aqueles que são sabidamente inimigos;
4. tivemos que lidar com apelos tentando nos convencer com argumentos frágeis a incluir nomes na lista: é amigo do meu amigo, é gente boa, é bonitinho, é uma gata, meu marido me convenceu que ele tem que estar na lista e, se ele não estiver, não posso ir e eu queria muito, coloca aí só para fazer número;
5. enfrentamos solicitações tipo Denorex, queriam nos fazer acreditar que eram quem não eram;
6. aprendemos que, às vezes, as pessoas dizem coisas genéricas só para nos fazerem acreditar que mereceriam estar na lista, mas só querem entrar para esculhambar com a festa;
7. no fim, aprendemos que a lista de convidados não precisa ser unânime, mas tem que haver afinidade para a festa dar certo.
Daqui a exatos trinta dias, colocaremos na urna a nossa lista de convidados para a festa da democracia.
Há 37 anos escolhemos quem vai presidir o país. Para quem nasceu no período democrático talvez não signifique nada. Para aqueles que lutaram pelas Diretas Já é a consolidação de um processo que deu fim a anos de ditadura militar.
Por tanto lutarmos por eleições diretas para presidente, muitos não percebem que a escolha de um nome para presidir o país não basta para que possamos avançar. Daí a importância de resgatarmos a nossa experiência em festas surpresas e montarmos a lista dos nossos votos com base na afinidade política e ideológica das nossas escolhas.
Antes de pensar na afinidade entre eles, precisamos definir a nossa afinidade com eles. Que país eu quero? A democracia é um valor para mim? O que penso sobre as diferenças sociais? O que é a soberania nacional para mim? Cabe em meu país uma bandeira que não seja a nossa? A Educação, a Saúde e o Bem-Estar Social são direitos? A situação da mulher, do povo indígena, dos excluídos, das pessoas de pele preta, das crianças e adolescentes em situação de risco, dos trabalhadores, do emprego, das pessoas com fome e das em situação de rua importam para mim?
Não temos como escolher sem nos conhecermos. Se ignoramos, ficamos sujeitos a sermos manipulados, a acreditarmos em mentiras há tanto repetidas que ficam com cara de verdade, mas nunca foram.
Conhecer, e se envolver é não se deixar enganar.
Escute uma vez os slogans de alguns candidatos nas rádios “eu quero ser a sua voz”, usados tanto pela esquerda como pela extrema direita. O discurso não diferencia, as ações sim. Pesquise, se importe.
Seu desinteresse atinge a você, a mim, a todos nos próximos quatro anos. Escolha por convicção, por coerência.
Seja cidadão.
Seja cidadã.
Não permita que manipulem o seu voto.
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