Voternidade


Maria Avelina Fuhro Gastal

Da nossa inf鈔cia, resgatamos as brincadeiras, da adolesc阯cia, a teimosia aos pais quando deixamos dormir um pouquinho mais tarde ou comer um docinho em um dia qualquer, da vida adulta, trazemos as mem髍ias dos nossos filhos pequenos estampadas nos rostinhos de hoje, na maturidade, vivemos o despertar de uma paci阯cia sem pressa e de um amor inigual醰el e indescrit韛el.

Algumas assam bolos, outras contam hist髍ias, muitas percorrem novos caminhos, e, t阭 as que se pensam m鉫s e ocupam um lugar que n鉶 as pertence e perdem a chance de experimentar um outro que extrapola a parentalidade, na medida que n鉶 agimos por dever, mas por puro prazer.

H� av髎 de todas as idades e de todos os jeitos.

Sou m鷏tipla quando estou com eles. Os tempos e as formas misturam-se em mim. Cuido, mas brinco muito, alimento, mas atendo aos paladares, repreendo, mas amole鏾 frente 鄐 carinhas espantadas, endure鏾, mas 搒em jamais perder a ternura�. Sou bruxa, fada, rainha, sapo, borboleta, pedra, goleiro, atacante, trocadora de figurinhas, paciente, m閐ica, enfermeira, aluna, professora, lojista, cliente de maquiagem e moda. Sou porto seguro, conforto, parceira. Sou velha e crian鏰. Sou pura fantasia que se encanta com as descobertas, com os desafios, com os humores e rancores.

Sou decifradora de neologismos. Acendo a 揺squentadura� nos dias de frio s� para que o Miguel se encante com as chamas, sempre me preocupando com a 損rotetura� para que ele n鉶 tenha as 揺mbarancelhas� queimadas.

Sou p閟sima em seguir as orienta珲es da Alice para skincare e make up. Ela n鉶 desiste e faz do meu rosto um campo de experimenta玢o e de possibilidades.

Sou merengue que se derrete pelo toque deles, pelo abra鏾 espont鈔eo, pelas palavras de carinho.

Eles n鉶 s鉶 a minha vida, mas a complementam da forma mais doce que eu poderia desejar.

Eu n鉶 sou a vida deles, mas sou presen鏰 de afeto e de disponibilidade. Eles s鉶 o resgate da minha leveza e alegria de viver e de me aventurar.

Equilibrar o ser v�, o estar com os netos, o viver minhas outras vontades faz com que eles, e eu, sejamos livres para voar sem o peso de se sentir abandonando ou abandonado. Libertar para viver � a forma mais completa de se amar.

Sou a av� que sempre quis ser. Sou, simplesmente, a V� Ave. E isso � bom demais.

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Maria Avelina Fuhro Gastal

E-mail: avelinagastal@hotmail.com

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