Slogan certeiro


Maria Avelina Fuhro Gastal

Quem viveu a adolescência no final dos anos setenta e início dos oitenta, sabe que “liberdade é uma calça velha azul e desbotada”. Muitos experimentavam um “raro prazer”, mesmo que isso, comprovadamente, não fosse uma “boa ideia”.

Alguns slogans marcaram época, mas se perderam no tempo. Outros romperam décadas e se mantêm atuais. Podemos até não saber quais, mas todos afirmamos que “Bombril tem 1001 utilidades”.

Bebidas e cigarros cravavam slogans que remetiam ao sucesso e à vitória, “Deu duro, tome Dreher”, “Free, alguma coisa a gente tem em comum”, Hollywood “O sucesso”, Campari “só ele é assim”.

Danoninho valia por um bifinho, “Helmann’s, a verdadeira maionese”, “a energia que dá gosto” estava no Nescau, e só havia um “caldo nobre da galinha azul”.

Se esta crônica fosse um quizz de slogans, você acertaria quantos dos listados abaixo?
“É impossível comer um só.”
“Todo mundo usa.”
“Abuse e use ...”
“Dê férias para os seus pés.”
“Se a marca é ....., bons produtos indica.”
“Sorriso saudável. Sorriso......”
“Tomou ....., a dor sumiu.”
“Bons momentos pedem um bom café.”
“Terrível contra os insetos. Contra os insetos.”
“Abra a boca é .......”

Há slogans que permanecem além do produto. Podemos nunca ter tomado Red Bull, mas sabemos que ele nos “dá asas”, não importa quais pilhas compramos, mas conhecemos “as amarelinhas” e só erramos receitas porque ignoramos que “Você faz maravilhas com Leite Moça.”

Às vezes, é a sabedoria popular que cria e dissemina um slogan. Lembram da CCE? “Conserta, conserta, estraga”. Ou, ainda, acrescentam ao slogan famoso, um toque de sinceridade “Keep walking. Porque se dirigir vai dar merda.”

Um dito popular diz que “mirou no que viu, acertou no que não viu”. Podemos aplicar ao slogan da Copa do Mundo 2026: “#We are 26”. A ideia foi concebida destacando a diversidade e a inclusão, além de permitir que torcedores e cidades-sede participassem ativamente da promoção do evento. Na teoria, muito bonito.

“O inferno está cheio de boas intenções”. Vimos uma Copa de violência contra à diversidade, de exclusão por xenofobia, racismo, interesses econômicos, desmandos, imposições ditatoriais e arbitrárias, desrespeito às nações. E a bola continuou rolando.

Parece que entendemos como normal o intolerável. Torcemos, sofremos pelo resultado de um jogo mais do que pelas ações inadmissíveis em um evento mundial que se vendeu como inclusivo.

Hoje, temos um Campeão, a Espanha. Mais do que a vitória em campo, representa a vitória de uma nação que se posiciona contra os atos imperialistas e o avanço da extrema direita.

Reconheço a garra do time argentino. Torci pela derrota. Uma vitória deles seria elixir para Milei, Trump e sua trupe sanguinária. Sempre torço pela derrota dessa gente.

Contra essa garra reconhecida, lembro de mais um dito, “não tá morto quem peleia”. A Espanha não morreu de véspera por temor da força do adversário. Sejamos como a Espanha, com a garra argentina, e não desistamos de derrotar o monstro que nos rodeia e suas mentiras.

Tudo é sempre política, mesmo que você teime em se fazer de tonto. “Jacaré que dorme vira bolsa de madame”.

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Maria Avelina Fuhro Gastal

E-mail: avelinagastal@hotmail.com

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