Maria Avelina Fuhro Gastal
Não só Elvis, Machado também não morreu.
Não só está vivo, como continua escrevendo e lançando livros aos 187 anos.
Além de um caso extraordinário de longevidade, soma-se a essa tão longa existência a permanência das capacidades intelectuais que o permitem trabalhar em um texto para publicação.
Desconsiderem o fato dele ter lançado, em 1884, um conto com exatamente o mesmo título, “A cartomante”, afinal algum problema de memória é esperado em idosos, ainda mais quase bicentenários.
Não sei se o texto é o mesmo. Ainda não li o lançado agora.
Não lerei sem algumas exigências: quero autografado, com caneta tinteiro, foto documentando o momento e impressão digital para confirmar a autenticidade. Toda precaução vale em tempos de IA. Será o suficiente?
Espanta-me o fato da Bamboletras, da Livraria Taverna, da Baleia, da Isasul e tantas outras comprometidas com a qualidade literária não estarem a par desse lançamento.
Penso que essas livrarias por não verem o livro como mercadoria, por acreditarem no livro e na leitura como forma de transformação pessoal e social, por serem comprometidas com a relação de confiança entre eles e os clientes estejam temerosos de divulgar informação mentirosa. Não deveriam. Afinal, está na Amazon, e, ninguém como eles, tem tanto compromisso com a venda de seus produtos.
A Amazon tem tanta certeza do lançamento da obra que até me enviou e-mail, no dia 7 de junho, que além de me informar sobre a novidade, com entusiasmo, reconhece meu gosto pela leitura: “Ótima notícia! Um autor que você leu antes, ACABOU DE LANÇAR um livro!”. É recente! É Machado! E é grátis (desde que você pague o pacote Amazon+Prime+Kindle). É nessa intimidade que se constrói uma relação de confiança.
Sugiro que a Amazon lance uma nova aba no campo de pesquisa: autores que não morreram. Vai que Clarice, Guimarães, Graciliano, Caio, Veríssimo (pai e filho), Scliar, Noll, Carolina de Jesus ainda estejam entre nós, buscando uma editora para novos lançamentos. Depois da notícia sobre Machado de Assis, tudo é possível.
Aplausos para os grandes conglomerados que lutam para manter o povo informado, baseados na informação confiável, na ética do mercado, no compromisso com a educação e na formação literária do povo.
IA sabe o que diz, as pessoas se enganam e são enganadas.
E, assim, o mundo gira.
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