Luzes da Ribalta


Maria Avelina Fuhro Gastal

No dia 12 de fevereiro de 2026 assisti ao filme “Luzes da Ribalta”, no Cine Capitólio, em Porto Alegre.

O Cine Capitólio funciona em um prédio restaurado no Centro Histórico da cidade. Desde 1928 o espaço abrigava um dos mais conhecidos cinemas da capital, que funcionou regularmente até 1994. O prédio é patrimônio público cultural do município e do estado. Restaurado o prédio, a Cinemateca Capitólio é um centro cultural dedicado única e exclusivamente ao audiovisual.

A conjunção do filme escolhido, de sua exibição em um cinema de rua, com tela grande, alta e suspensa, com o intuito de homenagear PFGastal no aniversário de 30 anos de seu falecimento, fez da vivência uma experiência repleta de sentimentos e memórias.
PFGastal, ou Calvero, para muitos, sempre foi um apaixonado pelo cinema e transformou a paixão individual em um reconhecimento social. Não só escreveu sobre cinema, formou cinéfilos, influenciou jovens jornalistas, ampliou o espaço do cinema na nossa cultura. E era apaixonado pelo filme “Luzes da Ribalta”, o que fica demonstrado pelo pseudônimo Calvero.

Até agora não sei dizer se eu já havia assistido ao filme antes. Algumas cenas me eram familiares, a música, com certeza, eu conhecia. Teria eu assistido ou tudo só faz parte das minhas memórias construídas pelo convívio?

PFGastal era meu tio paterno, tio Paulo. Era o tio “que me lembrava Carlitos”, que trazia no olhar a doçura, o amor e a intensidade de Calvero, que a mente flanava enquanto os pés cruzavam a Rua dos Andradas até a sede do jornal Correio do Povo, que morava em um cenário repleto de cartazes de filmes, livros, duas cadeiras de cinema. Era um lugar em que eu gostava de estar.

A relação com minhas tias maternas estava impregnada nos meus genes. Cinco mulheres que orbitavam a Vó Pequena. Não havia como não gostar delas. E eu sempre as amei.

Já a relação com minhas tias e tios paternos tiveram que ser construídas. Se não foram espontâneas, foram igualmente intensas, de uma forma diferente. O amor não estava garantido pela genética, precisava de cuidado e dedicação que possibilitassem a descoberta.
Aprendi a amar a todos exatamente por ter que fazer do afeto uma construção e por perceber que há formas diferentes de se ter amor. “Luzes da Ribalta” nos mostra isso.

Por momentos, estava no cinema assistindo ao filme, em outros, estava, ainda criança, no apartamento- cenário do meu tio, acompanhada por ele e pelos meus pais, irmão, tia e primos.

A homenagem foi para ele, o presente foi para mim.

Se alguns “sempre terão Paris”, nós, Gastal, sempre teremos o cinema.


Deixe um recado para a autora

voltar

Maria Avelina Fuhro Gastal

E-mail: avelinagastal@hotmail.com

Clique aqui para seguir esta escritora


Pageviews desde agosto de 2020: 451513

Site desenvolvido pela Editora Metamorfose