Maria Avelina Fuhro Gastal
O equil韇rio na corda bamba n鉶 � f醕il.
A dificuldade j� come鏰 pelo nome dado ao acrobata que nela se equilibra, fun鈓bulo. O termo me faz pensar em um fulano que caminha como um son鈓bulo, sempre correndo o risco de se espatifar.
Atra玢o comum nos circos, fun鈓bulos se deslocam em uma corda estendida e fazem evolu珲es sobre ela. As varas de equil韇rio s鉶 fundamentais pois ajudam a manter o centro de massa do corpo sobre a corda e a evitar quedas. O centro de massa do corpo humano �, aproximadamente, em torno do umbigo, por isso, o equilibrista mant閙 a vara pr髕ima � regi鉶. Em caso de pender para um lado, a vara deve ser rapidamente movida para o lado contr醨io para evitar a queda e restaurar o equil韇rio.
Na vida, somos todos fun鈓bulos.
Caminhamos sobre uma corda bamba. O peso para um dos lados � de toneladas. Amea鏰s constantes � paz mundial, aquecimento global, guerra da Ucr鈔ia, horror em Gaza, fome mundial, fortalecimento da extrema direita, ICE, desumaniza玢o dos diferentes, tortura e massacre de animais, coniv阯cia e tentativa de silenciamento pelo poder econ鬽ico, not韈ias falsas com objetivo de enfraquecimento da democracia, invas鉶 da Venezuela, aumento no n鷐ero de feminic韉ios, mis閞ia dormindo na frente de condom韓ios de luxo, professores desvalorizados e desrespeitados, discursos de 骴io e preconceito, e por a� vai.
A vara que nos possibilita manter o equil韇rio e n鉶 tombar para esse lado, por identifica玢o ou desespero, deve ter peso suficiente para reencontrar o centro da nossa massa. Conhecimento, pensamento cr韙ico, posicionamento firme, valoriza玢o das quest鮡s humanas, animais e ambientais fazem da vara forte o suficiente para nos manter em frente, desde que, do outro lado da corda, haja elementos suficientes para o equil韇rio.
O curioso � que, em oposi玢o � tonelada, temos, do outro lado, levezas. O azul do c閡, o movimento das mar閟, o farfalhar das 醨vores, as notas de uma can玢o, as palavras de um poema, o riso das crian鏰s, os abra鏾s inesperados, as flores em m鷏tiplas cores e aromas, a chuva fina que lava a poeira, a lua em suas fases, os encontros inesperados, os marcados, a conversa com amigos, a reuni鉶 com filhos, netos e familiares, o filme que nos toca, as imagens que nos preenchem de significados, a comida que nos sacia, o doce que nos conquista, o azedinho da fruta que nos arrepia, os planos que nos movem.
N鉶 temos como viver s� o lado leve, gentil e pleno. O lado pesado, mesmo que o ignoremos, tentar� nos fazer pender para as suas ideias, sussurrando inverdades para nos fazer acreditar que querem nos envolver com as levezas. Se sucumbimos, deixamos de ter valor e passamos a ser o primeiro alvo quando quiserem se defender. Por isso, nossa vara de equil韇rio tem que ser fortalecida. A ignor鈔cia ou o conhecimento superficial gerado por discursos que repetem mentiras seculares pesam toneladas e v鉶 nos derrubar.
N鉶 podemos permitir que fa鏰m de n髎 son鈓bulos, f醕eis de nos fazerem espatifar.
Cruzamos a corda bamba se temos consci阯cia de estarmos nela. No caso de desequil韇rio moment鈔eo, � bom contar com uma rede que nos proteja. Se cairmos, que seja apenas um susto. A experi阯cia vivenciada pode nos tornar mais atentos, menos vulner醰eis.
Pode ser cansativa a busca constante pelo equil韇rio, mas � a 鷑ica forma de nos mantermos vivos.
S� quem est� vivo � capaz de lutar.
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