Ledo engano


Maria Avelina Fuhro Gastal

Acordar, caminhar, dançar, fazer GAP (exercício para glúteos, abdômen, pernas), funcional/musculação, fazer pilates.

Dito assim, parece que já acordo exultante, mal podendo esperar para começar os exercícios físicos. Muitos que me conhecem pensam que é assim.

Ledo engano.

Preciso de um tempo entre acordar e reunir forças para as atividades físicas. Prefiro despertar às seis da manhã, ou até antes, e permitir que a alma e a persistência entrem no meu corpo no seu tempo.

Às vezes essa incorporação espiritual ao corpo material não acontece em sua potência desejada. Saio me arrastando. Qualquer ritmo da música danço como se fosse valsar, acelero os movimentos para acabar logo com a repetição, encaro o relógio a cada dois minutos na esperança de que já tenham se passado vinte.

Até nos piores dias, me sinto melhor após as atividades, mesmo que seja apenas por elas já terem acabado. Nas caminhadas resolvo todos os meus problemas e, nos dias bons, até os mundiais. Escrevo crônicas mentais, finalizo o livro de crônicas, elaboro cenas complexas para a novela que um dia retomo. Considerando os quilômetros já percorridos, tenho mais do que trilogias.

Se não é só prazer, o que me faz persistir no exercício? Saúde? Forma física? Modismo? Falta de algo mais para fazer?

Saúde e forma física contam. São a parte racional do sacrifício, sua explicação genérica. No detalhe, me prendo a aspectos mais mundanos. Quero envelhecer (mais):
1. conseguindo limpar a minha bunda;
2. sentando e levantando em diversos assentos sem precisar ser guindada;
3. colocando e tirando a minha bagagem de mão no compartimento superior nos aviões;
4. resgatando a minha mala da esteira nos aeroportos;
5. caminhando sem tropeçar nos meus pés;
6. caminhando sem arrastar os pés;
7. mantendo uma postura ereta para enxergar a vida;
8. percorrendo ruas, quarteirões de cada cidade visitada;
9. mantendo meus ossos inteiros e meus músculos menos despencados;
10. preservando minha autonomia, se possível, até morrer. E não se surpreendam se durante o velório eu me levantar do caixão para dar uma caminhada. Muito tempo parada é a morte.

Esse ano associei atividades para o cérebro. Exercícios para foco, atenção, preservação da memória. Enquanto meu corpo precisa de tempo para entrar em ação, minha cabeça desconhece o tempo de parar. Se eu não tiver uma crise de ansiedade, acrescida de um descontrole da raiva, e quebrar o Tangram em milhões de pedacinhos, é sinal de que já estou progredindo.

O melhor, além dos índices do hemograma e da situação das carótidas, é que em cada uma das atividades encontrei lugares, professores e colegas que acolhem. Não são espaços de culto ao corpo ou à mente, mas de compromisso com a qualidade de vida. Não há competição. Há cuidado, estímulo, e muitas risadas.

Em 2026, encontre o seu lugar, saia do sofá e garanta a maior distância possível da cama hospitalar.


Locais das minhas práticas:

Cérebro: @superameninodeus
Caminhada: ruas da cidade, orla do Guaíba
Dança e GAP: @curvesmeninodeus
Funcional e musculação: @espacoviacorpus
Pilates: em casa (mat pilates), com uma professora perfeita.





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Maria Avelina Fuhro Gastal

E-mail: avelinagastal@hotmail.com

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