Presente do passado


Maria Avelina Fuhro Gastal

Este texto poderia ser sobre gramática, mas não é.

Na Língua Portuguesa, o “presente do passado” é uma forma de expressar ações passadas que ainda têm grande repercussão e impacto no presente.

No cotidiano, pagamos o preço de generalizações que desmoralizaram a atividade política.

“Político é tudo igual”, “são todos corruptos”, “não quero saber de política”, “o legislativo não serve para nada”, e por aí vai.

Campanhas de desmoralização da política foram encabeçadas por veículos de comunicação, conglomerados econômicos, por políticos oportunistas.

Disseminando uma raiva nacional contra a esfera política, limparam o terreno para eleger aqueles que não têm compromisso com o povo. Endeusaram políticos medíocres como “caçadores de marajás”, “mito”, “salvadores da pátria”. Buscaram no esgoto da política o antídoto à representação popular e ao suposto e infundado perigo comunista.

Bancada ruralista, bancada evangélica, bancada da bala ocuparam o espaço que deveria ser dos trabalhadores, dos desvalidos, dos segregados.

Muitos de nós cederam ao discurso orquestrado pelo poder econômico e desacreditaram na força de seu voto, se omitiram ou votaram naqueles que usam o sistema para ir contra ele e garantir seu espaço de privilégio.

Acordar e sair desse estado de anestesia política não é virar seu ódio contra o Congresso Nacional. A luta é contra aqueles que fazem dele seu instrumento de opressão e desrespeito às leis e à Constituição.

Conhecer a Constituição é primordial para o exercício da cidadania. Ler, pelo menos, os Princípios Fundamentais. Observar as atribuições do Poder Legislativo (Art.44 à Art.75).

Discutir, perguntar, questionar, acompanhar o trabalho parlamentar, se fazer representar pelo voto, não repetir ou ceder a discursos vazios que têm como objetivo manter a representatividade legislativa vinculada ao poder econômico e religioso.

No Poder Legislativo está a nossa representatividade. Se hoje nos envergonha e age contra os interesses da população, nossa arma é o voto consciente.

Se, neste momento, e em todos os outros, você vira as costas para o que está acontecendo, engole e amplia o discurso que desmoraliza a democracia e a força do voto consciente, as opções são:
- você se deixa manipular,
- você se beneficia da atual desmoralização do Congresso,
- você concorda com o absurdo,
- você repete feito papagaio, sem nenhum conhecimento ou consciência, o discurso que mantém o poder nas mãos de quem oprime,
- você está representado pelos maus políticos e usa sua pele de cordeiro para esconder quem você realmente é,
- você é bandido.




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Maria Avelina Fuhro Gastal

E-mail: avelinagastal@hotmail.com

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