Maria Avelina Fuhro Gastal
Tropeçamos no português.
Dito assim, não seria absurdo você imaginar um gajo qualquer, sentado com as pernas estendidas ou deitado, tomando um banho de sol tropical, quando eu, e mais alguém que estava comigo, tropeçamos nele.
Não é a sua imaginação que é fértil, é a minha comunicação que foi trumbicada.
Em minhas andanças pelas ruas das cidades, li em uma placa: “Transporte e concerto de piano com içamento”. Que audaz e inusitado. Como funciona? O pianista estaria amarrado em cordas para não desabar das alturas? O concerto seria itinerante? E os milhares de fios espalhados pelas vias? Precisa de autorização da prefeitura? Ou da ANAC?
Recebi de uma amiga a seguinte mensagem: “Quando eu vir de novo, te aviso”. Que choque! Não sabia que ela tinha perdido a visão. Confesso que da última vez que falei pessoalmente com ela, fiquei preocupada. Ela estava de muda para São Paulo para ir de encontro a um novo amor. Teria a violência a cegado? Por que viajar tanto, reorganizar toda a vida, se não estava indo ao encontro de um novo amor? Para brigar, fica por aqui que teria sido mais barato e, pelo visto, menos traumático.
Na área do playground e da piscina de um prédio de classe média, fiquei espantada com a necessidade de fixar um cartaz alertando para “evitar de se alimentar no piso”. Que bando de selvagens. Usariam talheres ou ciscariam? O que fariam com alimentos líquidos? Sucção ou lambe-lambe?
No mesmo local não entendi a necessidade de um censo, mas ela foi bastante evidenciada no texto “a área de uso coletivo dos condôminos, portanto use com bom censo, preserve o patrimônio e mantenha a ordem.” Estariam pensando em comprar jogos americanos e espalhar pelo piso e, para tanto, precisam saber o número exato daqueles que vão se alimentar ali? O que faz de um censo bom ou ruim? Quem definirá a perguntas que serão feitas para garantir a qualidade? Serão consideradas as necessidades de acordo com a faixa etária dos moradores?
Tropeçamos na língua portuguesa e culpamos o receptor por não entender a nossa mensagem. Vamos aproveitar as trumbicadas para turbinar a nossa imaginação.
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