Zebra


Maria Avelina Fuhro Gastal

No passado nem tão distante, mas com ares de tempos muito remotos, antes da TV por assinatura, da Internet e dos streamings, restava a todos, domingos à noite, assistir ao Fantástico, o show da vida.

Era nesse programa que sabíamos se continuaríamos na mesma, se entraria uma graninha extra ou se nadaríamos em dinheiro. Quase no final do programa eram dados os resultados da loteria esportiva. O prêmio engordava se desse zebra, um resultado inesperado.

Seria a zebra branca com listras pretas ou preta com listras brancas?

No mundo animal, não sei. Mas em Porto Alegre, com certeza, elas são pretas com listras brancas, muitas vezes salpicadas por vidros estilhaçados e com manchas vermelhas que vão de respingos a poças enormes.

Tentar atravessar em uma faixa de segurança aqui é mais arriscado do que jogar na loteria. Na travessia, a zebra é quase sempre certa e derruba quem não está na armadura de um carro, ônibus, lotação ou caminhão, nem empoleirado em uma moto, bicicleta, patinete ou skate.

Não sei se é algo na água ou se tem a ver com a latitude em que a cidade se situa, pois os mesmos que sentem desprezo pelas faixas de pedestres aqui, as respeitam em Canela, Gramado, Ijuí, Brasília e em outros lugares deste vasto mundo (redondo).

Há alguns anos teve uma breve campanha de educação de motoristas e pedestres. Mãos enormes com o dedo indicador apontado eram mostradas nas esquinas para alertar sobre a regra básica de trânsito seguro. Durou pouco, não produziu resultados. Faltaram perseverança e consistência da administração pública.

Educação e conscientização são processos longos e necessitam de continuidade. Esperarmos que uma prefeitura que poda Ipês floridos, derruba árvores para pavimentar uma praça ou transformar um parque em estacionamento se ocupe de campanhas de educação é ZEBRA na certa. Quem sabe pressionamos a Melnick para nos apoiar?

Ao ver uma faixa de pedestres, se proteja. Lance olhar de censura aos condutores que a ignoram, xingue-os até a quarta geração, agradeça com um gesto aos que param para você passar, mas certifique-se que nenhum outro veículo está vindo ao lado dele. Não ponha o pé no meio da rua se não quiser virar estatística e, sob hipótese alguma, dê um soco ou pontapé no carro que, por pouco, não passou por cima de você. Não esqueça, para eles sua vida vale menos que a lataria do símbolo de poder e status, portanto, vão defendê-la com unhas, dentes, pontapés, socos e armas.

Ferir você já fazia parte do script, afinal andar a pé é para os fracassados.




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Maria Avelina Fuhro Gastal

E-mail: avelinagastal@hotmail.com

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