Maria Avelina Fuhro Gastal
Há cinco anos, nos meus textos, não escrevo o nome dele. Sempre me refiro a ele como perverso ou inominável em respeito aos mortos pela Covid, às mulheres desrespeitadas, à dor dos que o viram fingindo falta de ar em uma live enquanto avôs, avós, pais, filhos, amigos, irmãos sufocavam, morriam e eram enterrados sem despedidas, aos homens e mulheres de pele negra que foram lembrados do seu peso em arrobas, aos perseguidos, exilados, torturados e mortos pela Ditadura militar, a Presidente Dilma Rousseff que foi novamente agredida ao ter o nome de seu torturador – Carlos Brilhante Ustra – homenageado em Plenário quando o, então parlamentar, proferiu o voto favorável ao impeachment de Dilma.
Hoje, darei nome aos bois. Embora não tenha sido julgado por nada do que referi acima, Bolsonaro foi julgado e condenado por tentativa de golpe de Estado e outros crimes contra as instituições democráticas. Condenado por ser líder do movimento que queria abolir o Estado Democrático de Direito.
É assim que o nome dele tem que ser lembrado. Apagar o nome Bolsonaro, agora, é abrir espaço para o esquecimento. Ele é um, mas não o único que coloca os próprios interesses acima do povo, da Nação, do país e da soberania nacional. Esqueceram do verde e amarelo, renegaram a bandeira nacional, idolatram o vermelho, o azul e o branco, veneram a bandeira norte americana, rifando empregos, empresas, a vida do povo.
Políticos inescrupulosos se aproximam para herdar o espólio eleitoral dele. Tarciso de Freitas, até então fantasiado de cordeiro, mostrou-se o lobo que não teve escrúpulos para atacar o sistema judiciário brasileiro no 7 de setembro, negociar uma anistia vergonhosa e, após a condenação de Bolsonaro, desistir de nova investida junto ao Congresso pela anistia por entender que já fez tudo que poderia. Como confiar o voto a quem já mostrou que age apenas por interesse próprio?
A extrema direita no Brasil não acabou com a esquerda, mas aniquilou o centro e a direita. Polarizou destruindo o campo democrático. O debate, a visão de mundo e de políticas públicas foram soterrados em mentiras e narrativas alimentadas pelo ódio ao contraditório.
Não estamos livres da ameaça. Não podemos relaxar.
Não foi a esquerda que venceu na condenação dos envolvidos na trama golpista. Foi uma vitória da democracia. Festejemos essa vitória, lamentando ainda estarmos sujeitos a oportunistas e oponentes ao campo democrático usando de ferramentas da democracia, a eleição livre para todos os postos do Legislativo e Executivo, para derrubar o próprio sistema que os conduziu ao poder e, assim, se perpetuar nele, às custas de perseguição, tortura e mortes.
Se eles são oportunistas, não podemos perder a oportunidade de neutralizá-los, de vencê-los, de não nos deixar enganar por lobos fantasiados de cordeiros.
Talvez na próxima eleição você ainda não vote em quem realmente gostaria de votar, mas, se preza a democracia e se opõe aos métodos empregados pelas ditaduras, não se omita. Não deixe a porta aberta para que tudo se repita. Eles aprenderam a lição e agirão com mais rigor e violência para calar a todos.
O verde e amarelo voltou às mãos do povo brasileiro, não permita que outra cor manipule seu voto,
Clique aqui para seguir esta escritora
Pageviews desde agosto de 2020: 442640
Site desenvolvido pela Editora Metamorfose