Maria Avelina Fuhro Gastal
Talvez seja sábado quando você ler este texto e, daí, o título não fará o menor sentido. Garanto que foi escrito e publicado em uma sexta-feira, 29 de agosto.
Dito isso, afirmo que hoje não é sábado em uma tentativa já desesperada de me convencer.
Acordei achando que era sábado, cumpri minha rotina de sexta-feira, ainda achando, por diversas vezes, que era sábado.
A hora em que acordo não se altera com os dias da semana, sempre entre 6 e 7 horas da manhã. Então meu despertar não é parâmetro para nada. Minhas primeiras atividades são sempre as mesmas, café da manhã com uma fruta, uma fatia de pão torrado e um ovo. A seguir, faço os exercícios do Duolingo de inglês, muito menos para revisar do que para manter a ofensiva e não perder para mim mesma. Não dá para começar o dia com uma derrota.
Após essa primeira vitória, me arrumo para as atividades físicas. Essas variam conforme o dia da semana em que estou. Nem essa consistência nas atividades de sextas-feiras tiveram a força de me convencer que não era sábado.
Teria sido o sol, a temperatura amena, a noite bem dormida que me confundiram? Nem todo sábado é solar, agradável e começa após uma noite de sono reparador. Algo além me trazia o sábado em uma sexta-feira, mas o quê?
Já passei, há muito, da idade em que o fim de semana gera expectativas: um encontro, uma festa imperdível, um tempo livre para estar com os filhos, horas para faxinar a casa, acordar sem ter que correr para levar filhos à escola e seguir para o trabalho, uma noite para ver, no vídeo ou DVD, aquele filme que fez tanto sucesso, mas que não havia dias na semana para um cinema.
Hoje, sou dona dos meus dias. Tenho rotina, mas não limitações. Depende de mim segui-la ou não.
Não há dia da semana que eu não goste. Há dias em que cursos e aprendizado de algo são mais constantes, há outros em que o tempo com os netos são prioridade, em todos alguma atividade física, no mínimo uma, quase sempre duas, muitas vezes três. Leitura em todos os dias, escrita em vários deles, pensar em temas para novas crônicas e contos, o tempo todo. Têm os dias do nada, da Netflix, dos encontros com amigos, da opção de ficar quietinha em casa. Há aqueles em que nada do previsto acontece e a desordem é acolhida e vivida.
Essa semana, não tive minha sessão de terapia na quinta-feira. Terá sido esse o motivo de eu achar que hoje é sábado, já que ontem, sem terapia, teria sido sexta-feira? Mas ontem, eu sabia que era quinta-feira, mas, mesmo assim, acordei no sábado.
Talvez mais do que cara, os dias da semana inspirem sensações. Mesmo gostando de sextas-feiras, sábados me remetem à leveza e alegria com a vida, principalmente se há sol, vozes de crianças brincando nas ruas.
Se perdi uma sexta-feira, ganhei dois sábados. Se foi pela sensação que tive ao acordar, que mais sábados venham, mesmo durante os outros dias da semana. Leveza e canja de galinha não fazem mal a ninguém.
Um ótimo dos meus sábados a todos em qualquer um dos seus dias.
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