Maria Avelina Fuhro Gastal
Meu primeiro grande questionamento, lá pelos meus 10-12 anos, foi como Nossa Senhora, sendo virgem, tinha engravidado. Alguns anos depois, descobri que era possível, mas a versão oficial nunca me convenceu.
Pela mesma época me interessava em saber como o universo tinha surgido e quem teria nascido primeiro, o ovo ou a galinha.
Parece que todas as minhas dúvidas tinham como centro a minha falta de fé.
Cresci cada vez mais descrente e, mesmo agora, em idade avançada, fico horrorizada com os absurdos que vejo em nome da fé. A História nos mostra isso.
Minha paixão pela História também me fez questionar a conduta humana: como Hitler convenceu a tantos de que era a salvação da Alemanha? O povo alemão não enxergou a loucura e as atrocidades promovidas por ele? Como tantos judeus foram exterminados sem que ninguém soubesse o que estava acontecendo?
Jamais pensei que as respostas a essas dúvidas se dariam de forma concreta. Ainda vemos milhares acreditando no inominável, ignorando suas ações que levaram à morte, de maneira solitária e sofrida, milhares de brasileiros, enquanto ele ignorava a Ciência e zombava de quem sufocava até morrer. Por isso ele não está sendo processado.
Ele ainda fez das instituições democráticas o quintal de sua casa, aparelhou o Estado para perseguir oponentes, para impedir acesso às urnas eleitorais, desacreditadas por ele em cima de notícias falsas, e tramou contra o resultado das eleições para se manter no cargo. Não deu certo, mas foi uma tentativa de golpe. Se tivesse tido êxito, estaríamos sendo calados.
Todos sabemos o que está acontecendo em Gaza. Impossível manifestar-se contra sem ser acusado de antissemita. O que o Estado de Israel vem fazendo contra a população civil da Faixa de Gaza é extermínio. O Estado de Israel tem perpetuado o massacre, não os judeus. E o mundo, conivente, assistindo ao vivo e a cores, mas optando em preservar o capital.
Em meio a tantos absurdos, encontro coerência na postura do inominável, de sua família e seguidores ao criticar com tanta ferocidade o Sistema Judiciário Brasileiro. Eles jamais acreditaram na Justiça. Sempre enalteceram torturadores, justificaram tortura, fizeram apologia à ditadura de 64. Devido processo legal, para eles, é balela. Pau-de-arara, afogamento, choque elétrico, estupro e sevícia são os métodos que eles conhecem como justos, para os outros. “Patriotas” que rifam o país, o seu emprego, a sua renda, o seu vencimento, a sua aposentadoria enrolados em bandeiras, agora vermelhas, azuis e brancas. Esquecem do “Brasil acima de tudo” na tentativa de se salvarem, soterrados por tantas provas testemunhais e documentais. Acima de mim, de você, da sociedade, do País, e , pelas condutas, até acima de Deus está uma família que se vê clã, quando não passa de grupo de inescrupulosos. Quem reconhece o erro, pede perdão, quem se sabe culpado, mas faria tudo de novo, pede anistia.
Tem uma frase que odeio, mas parece ser o mantra de muitos: “me engana que eu gosto”. Como tantos pobres, negros, homossexuais, mulheres, transsexuais, artistas, escritores, professores, funcionários públicos, profissionais liberais, pequenos agricultores e comerciantes ainda acreditam que toda a ação orquestrada pela família inominável é para salvar o país? A única salvação que os interessa é a da própria pele. Alguns acreditam por desinformação, inocência ou manipulação, mas muitos são exatamente como eles, desumanos e perversos.
A tentativa de golpe continua. Um grupo de parlamentares escolheu tapar suas bocas com esparadrapos, quando na realidade estavam impedindo a voz de tantos parlamentares, culminando com a ocupação do plenário das Casa legislativas Federal. Afronta (mais uma) à Constituição e aos interesses da população. A chantagem era clara, votem a anistia ou nada mais é votado. Para eles, o Poder Legislativo, seus mandatos parlamentares estão a serviço de seus próprios interesses, não da representação popular. Você apoia isso?
Saudades de quando a Virgem, o ovo e a galinha eram meus maiores problemas existenciais.
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