Casa dos sonhos


Maria Avelina Fuhro Gastal

Minha casa dos sonhos seria próxima ao mar. Estaria em meio a um vasto terreno, construída bem no meio dele.

Não teria cercas nem grades. Um amplo gramado, com canteiros de flores, algumas árvores e pedras conduzindo os passos até a varanda. Ao anoitecer, pequenas lâmpadas em cores quentes, indicariam o caminho até a entrada principal.

Na varanda, vasos de cerâmica, enormes, acolheriam flores coloridas, em tons claros, adornadas por verdes que desceriam pelas bordas, tocando o piso de cimento queimado.

Nos fundos, o pátio teria grama, árvores frutíferas, churrasqueira com mesa, cadeiras e sofás aconchegantes, piscina com colchões infláveis para repousar e receber os raios de sol sobre a pele. Ombrelones seriam refúgio para refrescar.

A arquitetura seria simples.

A varanda da frente seria separada da sala por uma porta de vidro de correr, unindo o exterior e o interior quando aberta.

A sala seria grande, com diversos ambientes. Sofás, pufes, tapetes claros e mesas de apoio comporiam esses ambientes, aquecidos por uma lareira, refrescados pela corrente de ar das várias aberturas amplas. Em um pequeno espaço ficaria a TV, um sofá retrátil e cestos com manta. Um lavabo, enfeitado com lavandas, serviria aos visitantes. Em um canto ficaria a biblioteca, o espaço para leitura e escrita, uma poltrona aconchegante e um abajur para iluminar as páginas.

Apenas uma mesa extensa separaria a sala da cozinha. Dela poderia cozinhar, passar café, fazer chá e estar junto a quem me visitasse.

Quartos, apenas dois. O meu uma suíte com closet, o outro para netos e hóspedes, também suíte. Amplas janelas, colchas claras e fofas, almofadas diversas e mantas comporiam o ambiente.

A decoração seria afetiva. Fotos, recordações de viagens, presentes recebidos, quadros com essência e significado, peças de família, objetos com história e memória.

Não moro próxima ao mar, mas, contanto que o Guaíba se mantenha em seu leito, posso caminhar pela orla que fica a pouco mais de um quilômetro da minha casa.

Meu edifício fica no meio do terreno. Embora grades e sistema de segurança à distância separe o mundo da minha casa, entre o portão e a entrada principal há verdes, flores e pedras que conduzem a uma ilusória varanda. Das minhas janelas, todas grandes, não enxergo as grades que me cercam e entre meus olhos e os edifícios que me rodeiam, há inúmeras copas de árvores e brechas por onde vislumbro o céu. Um pouco do exterior ainda escapa para o interior de onde moro.

Tenho piscina e pátio gramado com árvores frutíferas nas lembranças da casa dos meus pais e da infância dos meus filhos naquele espaço.

As flores e verdes de um jardim de entrada estão difusos em vasos de vidro, cerâmica que ocupam diversos espaços, muitos comprados por mim, outros tantos dados por quem reconhece meu jeito de ver a minha casa, todos muitos cuidados pela Leila, já que eu, embora os ame, ainda não superei o “quem ama, não mata”.

Na minha sala cabem muitos. Tenho espaço para receber minha família, meus amigos e amigas. Lareira para aquecer, ampla janela para refrescar. Quando ele aparece, raios de sol beijam os recantos. Um vão entre a cozinha e a sala não me aparta de quem me visita, assim posso cozinhar, passar café, fazer chá sem perder o prazer de estar com quem está comigo.

Não tenho biblioteca, mas tenho livros que se espalham pela casa. Além de “um teto” todo meu para ler e escrever, tenho um espaço para isso. Nele cabem todas as histórias, as inventadas e as vividas, transcritas em forma de ficção ou não.

Nesse espaço de tantas histórias, recebo os hóspedes. Os netos ainda pertencem ao quarto que é meu, fazendo um lugar para dois se estender para três, apertados, embolados, aconchegados.

Tenho em casa objetos de memória, quadros com significado afetivo, porta retratos com momentos de emoção capturados, peças que foram das minhas avós, da minha mãe, do meu pai. Presentes recebidos, alguns comprados outros produzidos pelas mãos criativas de amigas e amigos, recordações de viagens, frases que me ajudam a seguir.

Moro na minha casa dos sonhos. Ela me acolhe e nela acolho a todos e a todas que quero bem. É nela que me tranquilizo, me curo e me fortaleço para continuar vivendo neste mundo tão absurdo e destruidor.







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Maria Avelina Fuhro Gastal

E-mail: avelinagastal@hotmail.com

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