Destinos


Maria Avelina Fuhro Gastal

Nunca fui à Holanda.

Afirmação meio descabida já que muito mais não fui do que fui a outros países.

Poderia listar vários destinos que me atraem e aceitar convites para viajar para qualquer lugar que eu jamais pensei em visitar. Se tem que fazer mala, conhecer algo novo, estou pronta para ir, para tudo se pode contar com o Credicard.

Mas a vontade, agora, é de ir à Holanda.

Talvez essa vontade tenha ganhado força o ano passado. Reli “O Diário de Anne Frank”, versão normal e em quadrinhos, li e mediei em dois grupos diferentes “Quando você escutar essa música”, livro de Lola Lafon, Editora Paris de Histórias, que narra a experiência da autora, durante a pandemia, ao passar uma noite no Museu de Anne Frank, casa em que ela, sua família e outras pessoas ficaram escondidas na Segunda Guerra Mundial, até serem capturados pela Gestapo. A imersão nessa história me fez querer estar lá.

Antes disso, Holanda já me atraía. Seus canais, sua forma respeitosa de conviver com as diferenças, suas tulipas, suas ruas planas, floridas e limpas.

Apesar de muito querer, ainda não fui à Holanda.

Milk e o homem do chapéu de palha foram. Mandaram fotos das bombas de drenagem para os técnicos do DMAE, ouviram sobre a experiência de viver no nível do mar, e até abaixo dele, sem serem afogados a cada chuva torrencial.

Enquanto penso na Holanda como possível roteiro, acompanho a medição do nível do Guaíba. Técnicos preveem que na quinta-feira, dia 26, ele transbordará, alagando os armazéns do cais. Também há previsão de chuva para sábado e, em grande volume, para domingo. Tenso.

Mas, podemos ficar tranquilos. Milk tem o colete laranja, por sorte, cor da Holanda. O homem do chapéu de palha já colocou sacos para conter a água e, desta vez, segundo algumas notícias, não foram enchidos com areia, mas argila. Essa troca deve ser a comunhão das ideias obtidas na Holanda com os avanços da inovação que caracteriza Porto Alegre há alguns anos.

Vivo entre o sonho de visitar a Holanda e o pesadelo de acompanhar as águas novamente destruindo vidas. Qual o nosso destino?

Destinos são escolhas nossas, tanto na hora de planejar um roteiro, quanto na de apertar o botão da urna eletrônica.

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Maria Avelina Fuhro Gastal

E-mail: avelinagastal@hotmail.com

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