Maria Avelina Fuhro Gastal
Nunca ter sido namorada não implica em não ter tido namorado.
Claro que namorei. Não me casei por escolha entre famílias nem por promessa no meu nascimento.
Namorei, mas não fui namorada. Pelo menos não no Dia do namorados.
Funcionava como um combo “leve duas, pague uma”. A proposta variava. Sempre parecia democrática porque me era dada a chance de escolher.
“Prefere sair para jantar no Dia dos namorados ou no teu aniversário?”
“Te entrego o presente no Dia dos Namorados ou no teu aniversário?”
“A gente pode fazer algo no dia 13, assim já vale pelo Dia dos namorados e pelo teu aniversário.”
Claro que eu sempre dava um presente de Dia dos namorados e outro no aniversário. Eu tinha namorado, mas, naquele período específico do mês de junho, eu não era namorada e deixava de ser uma pessoa. Era vista como um gasto exagerado dentro de um mesmo mês.
Quem nasce no Dia de finados, não tem direito a receber abraços com sorrisos? Ou eles virão sempre cercados por lágrimas e luto? E no Natal? Uma coisa é o nascimento de Cristo outra é o de qualquer pessoa que veio depois dele e merece ter um dia como seu.
Eu nem nasci em um 12 de junho. Dois dias de diferença não me pouparam de não me ver importante nem como namorada nem como aniversariante.
Se você está pensando que me rendi a uma data comercial, abra mão de seu presente, de suas flores, de jantares românticos.
Nunca pensei que devesse ganhar algo caro em cada uma das datas nem que deveria ter um jantar pago, sem dividir a conta, duas vezes em um espaço de dois dias. Presentes construídos, criados, inventados, palavras em cartões e bilhetes são muito mais a minha cara.
Fica a dica, se você namora alguém que aniversaria em torno do dia 12 de junho, faça com que seu namorado ou namorada se sinta especial como escolha e especial por existir, pelo menos para você.
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