Espelho, espelho meu, nosso.


Maria Avelina Fuhro Gastal

Mãe é útero,
Ventre,
Seio,
Colo,
Aconchego.

Mãe também é espelho.
Reflete a primeira imagem que temos de nós mesmos.
Nomeia o que pensa ver em nossa alma.
Nos apresenta quem somos aos olhos dela.

Mãe pode ser bruxa,
pode ser fada.
A bruxa realça nossas falhas,
a fada as acolhe e as transforma.

Mãe pode ser opaca,
quando espelho, nada reflete.
Busca nos olhos do filho a imagem de si mesma.

Mãe pode ser cega.
Na sua cegueira, nada vê de si mesma.
Sua única visão é para com o filho,
Que passa a ver a si próprio como maior do que é.

Parir não é ser mãe.
Alimentar não é ser mãe.
Não é ser mãe fazer do filho refém.

Ser mãe é ser imperfeita, sempre.
Imperfeita, mas disponível.
Disponível, mas não algoz.
Ser mãe é saber estar, se ausentar, saber negar.

Para inúmeras, hoje é o seu Dia.
Para tantas outras, é o Dia do que poderiam ter sido, mas falharam.





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Maria Avelina Fuhro Gastal

E-mail: avelinagastal@hotmail.com

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