Al閙 da lembran鏰


Maria Avelina Fuhro Gastal

Eu, entre os dois, contando uma hist髍ia. Eles atentos, encostados em mim. Acordei, n鉶 estavam ali. Por segundos fiquei tentando lembrar se tinham ido dormir na casa dos av髎 ou em algum amigo. N鉶 conseguia lembrar. Quase em p鈔ico, me dei conta que h d閏adas n鉶 tenho eles na minha cama e h anos nem mais na minha casa. Mas, nessa madrugada, eles estavam comigo, crian鏰s.

Em um breve momento em que a consci阯cia relaxou, vivi com intensidade um momento do passado. N鉶 foi mem髍ia ou lembran鏰. Eu estava entre eles, percebi o calor dos corpos, senti a del韈ia de t-los comigo antes de adormecer.

Mem髍ia ou lembran鏰s trazem os fatos, ad閝uam sensa珲es e controlam emo珲es. Viv阯cia nos invade em um descuido de nossas defesas. Um sabor nos leva inf鈔cia, um som a um momento intenso, uma frase ou palavra destravam o s髏鉶 de nossos lixos e tesouros.

No caminho para o hospital quando a minha neta nasceu, meu corpo tremia. Era eu atravessando a cidade para ter meu primeiro filho. Vivi dois tempos no mesmo momento, me vi quase menina sendo m鉫, e vi meu menino se tornando pai. No caminho, a percep玢o da intensidade anestesiada da minha viv阯cia ao saber que naquela noite meu filho nasceria.

Ouvir o badalar do sino da Catedral foi uma constante na minha vida, morei, estudei e trabalhei bem pr髕imo a ela. Quando toca, a mem髍ia me leva proximidade do fim da aula ou de buscar meus filhos no col間io. Apesar de minha total falta de f, v醨ias vezes entrei na igreja e ali fiquei tentando organizar e pacificar meus sentimentos. At aqui, mem髍ia ou lembran鏰s. H alguns meses, em aula on line, uma das alunas, que mora na Rua Duque de Caxias, estava com o microfone aberto quando os sinos badalaram. Fui sugada pela viv阯cia de desamparo e de conforto tantas vezes experimentadas dentro da Catedral.

Todos os tempos moram em n髎. Cobrimos sensa珲es e viv阯cias com camadas de controle e prote玢o. Trazemos mem髍ia aquilo que constru韒os a partir dos fatos. Quando desavisados, abre-se um portal para o verdadeiro sentido de nossas lembran鏰s. S ent鉶 nos entregamos e sentimos o que trazemos impregnado em n髎, sem armadura.

N鉶 temos como for鏰r a experi阯cia. Ela nos arrebata no descuido, na imprevisibilidade, na total incoer阯cia do momento. S temos que nos entregar a ela.

Essa noite, revivi meus filhos, crian鏰s, comigo. N鉶 importa qu鉶 distante no tempo esse momento esteja, em mim esteve no passado, est no presente e estar no futuro. N鉶 da ordem do tempo, mas da ordem do vivido e isso permanece. Quando acessado, entregue-se.

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Maria Avelina Fuhro Gastal

E-mail: avelinagastal@hotmail.com

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