Maria Avelina Fuhro Gastal
Mais um domingo. Vig閟imo quinto da quarentena. O de hoje, al閙 de soterrado no v韗us, est� afogado entre dias de chuvas que n鉶 param. Mas, ainda assim, domingo, dia que elegi para levezas. N鉶 me interessa a reforma administrativa, a loucura de pensar na volta 鄐 aulas em plena bandeira vermelha, a nossa falta de independ阯cia para comemorar o Sete de Setembro, as insanidades governamentais, n鉶 quero saber o n鷐ero de mortos e contaminados nem a taxa de ocupa玢o das UTIS. S� por hoje, quero brincar com as palavras sem colocar o peso da realidade nelas.
Sem sol, n鉶 tenho como realizar minha fotoss韓tese liter醨ia no janel鉶 da churrasqueira. N鉶 salvo a vitamina D nem diminuo a palidez pand阭ica, substituindo-as por um leve bronzeado quadriculado pelas linhas da rede de prote玢o. O livro est� mantido. Se n鉶 fossem as constantes indica珲es, talvez eu at� que conseguisse zerar minha lista de leituras atrasadas durante a pandemia. Continuar sendo uma DLA (h� um texto sobre o assunto aqui na p醙ina) � uma garantia de retorno a algo minimamente normal.
Se o v韗us n鉶 resiste � 醙ua e sab鉶, por que n鉶 aproveitamos a chuva para brincar nas janelas, alpendres e sacadas de fazer bolinhas de sab鉶? Imaginem a cidade encoberta por estruturas vol醫eis, coloridas e de formas variadas. A cada estouro silencioso delas, a esperan鏰 de aniquilamento de um dos portadores da nossa ang鷖tia. Quando voltasse o sol, estar韆mos livres para abra鏰r nossas saudades.
Temos 醙ua, sab鉶, alguns t阭 canudos ou podemos improvisar, buscar um espa鏾 nas nossa cabe鏰s para imaginar a constru玢o de um. Desse jeito, trar韆mos ao pensamento busca de solu珲es para algo imediato, deixando em pausa a percep玢o de todas as aus阯cias, de todas as vontades contidas, de tanta impot阯cia frente � realidade.
Lembrar韆mos do nosso encantamento infantil ao ver as bolhas se desprenderem para flutuar no ar em um caleidosc髉io sem vidros, no entanto recheado de cores e de diferentes formas. O encontro com a crian鏰 que um dia fomos nos traria disposi玢o para soprar mais e mais. Bolhas coloridas cobririam o c閡 cinzento, pingos de chuva as romperiam, toneladas de 醙ua e sab鉶 escorreriam em cal鏰das, plantas, carros, canteiros. No caminho at� eles, percorreriam o ar. O v韗us se encantaria com as cores al閙 de seu verde putrefato, e se abra鏰ria a elas. Morreria em um abra鏾. N髎, estar韆mos livres para um, para v醨ios, para todos que amortecemos desde mar鏾.
Leveza melanc髄ica? Leveza esperan鏾sa? O cansa鏾 da situa玢o tem, algumas vezes, trucidado com o riso f醕il e, at� mesmo, com a gra鏰 fortuita, mas nossa luta � para que ele n鉶 nos fa鏰 desistir.
A cada dia, fa鏰 sol, chuva, frio ou calor, estamos mais perto de superar este momento, n鉶 importando quanto tempo a mais ainda falte. N鉶 d� para deixar que o cansa鏾 nos torne inconsequentes e nos fa鏰 jogar a toalha antes do 鷏timo round. Continuemos em casa, quando poss韛el. Continuemos afastados, ainda que cada vez doa mais.
Se bolhas de sab鉶 n鉶 matam o v韗us, decretos tamb閙 n鉶.
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