Maria Avelina Fuhro Gastal
Humberto quer desfazer p閟sima impress鉶 que causara ao filho no 鷏timo dia de visita. Procura entre as roupas espalhadas pelo quarto algo para vestir. Puxa uma camisa da guarda da cadeira. Olha o colarinho, cheira a dobra que encosta nas axilas, estende a camisa na cama e a alisa com as m鉶s. Escolhe um jeans e tem dificuldades para casar uma meia em par. Inunda os olhos com col韗io.
Vai do quarto para o banheiro. A 醙ua fria do chuveiro chicoteia em seu corpo. S� mesmo pelo filho vale o sacrif韈io. A toalha de banho est� jogada em um canto, envolta em uma gosma escura. Seca-se com a toalha de rosto. Decide vestir-se no quarto para n鉶 sujar a sua 鷑ica op玢o de roupa apresent醰el.
J� pronto, passa pela sala. Levanta a cadeira que est� tombada, mas ignora as garrafas ao lado. Bate a porta com pressa.
T鉶 logo chega � rua, sente a transpira玢o encharcar o seu rosto. Procura uma sombra para esperar o 鬾ibus. Vasculha a carteira e decide ir � p�. Onde teria perdido o dinheiro que tirara do banco? Enquanto caminha, tenta refazer a noite anterior, tirou dinheiro, encontrou uns amigos, compraram bebida, mas a conta n鉶 fecha e do resto n鉶 lembra.
Abre de novo a carteira e calcula as possibilidades. Tem o suficiente para dois sorvetes, um refri e ainda sobra algum para o picol�. Sente a boca seca. Recalcula e, se for com o menino no parque perto de onde ele mora e depois voltar a p�, tem uma sobra para aliviar a secura da garganta.
Entra no bar e subtrai um sorvete, o equivalente a duas doses. Agora tem f鬺ego para chegar at� a casa da ex-mulher.
Manchas de suor escrevem um c韗culo embaixo dos seus bra鏾s. Disfar鏰 e cheira as axilas. Deveria ter escolhido outra camisa.
Continua caminhando, passa a m鉶 no rosto v醨ias vezes, estala os dedos sem parar, co鏰 os bra鏾s com frequ阯cia, muda constantemente de lado na rua.
A duas quadras do destino, entra em um bar e pede para usar o banheiro.
─ � naquela porta ali nos fundos.
Joga 醙ua em abund鈔cia no rosto, tira a camisa, molha o peito e a nuca. Tem arcadas de v鬽ito e a gosma escura em refluxo escorre pelos l醔ios. Enx醙ua a boca repetidas vezes. Algu閙 bate na porta:
─ Comprou o lugar, cara?
─ J� vou sair.
Humberto abre a porta e sente todos os olhares cravados nele.
─ Toma uma aqui. Vai te fazer bem.
Humberto olha o copo, refaz as contas e subtrai outro sorvete.
Recomposto, enfrenta as duas quadras com resolu玢o. O porteiro anuncia a chegada dele. Desliga o interfone e pede que aguarde. Ele resolve esperar no p醫io do pr閐io. V� a porta do elevador se abrir. Dele saem a ex-mulher e o irm鉶 dela.
─ E o menino?
─ O menino tem nome. Esqueceu?
─ Onde ele est�?
─ L� em cima, com meus pais.
─ Hoje � meu dia. Vou levar ele no parque. Qual � Clara? O filho � meu.
─ Sobe, Clara. Eu resolvo isto, - diz o irm鉶.
Clara sobe, chorando.
─ Vai embora, cara. Olha teu jeito. Cheirando a bebida, todo desmantelado. Poupa teu filho. Te manda.
Humberto n鉶 reage. Olha para cima, mas as cortinas est鉶 fechadas. Baixa a cabe鏰 e come鏰 a se afastar. Seu corpo todo treme, o suor � agora uma massa palp醰el. Coloca as m鉶s no bolso. Ali, na carteira, ainda t阭 um refri e um picol�. No m韓imo quatro doses.
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