Quatro esta珲es


Maria Avelina Fuhro Gastal

Vivia em um inverno intenso coberto por pesadas nuvens cinza chumbo.

Me acostumei a ver, muito al閙 do c閡 que me cobria, frestas de claridade, brilhos de sol. Temia encobri-los. Lutava para que eles fossem preservados e se ampliassem para n鉶 escurecer o c閡 de quem os desfrutava. Protegia a claridade dos outros, sem encontrar um espa鏾 em mim para nele estar.

Temi, h� 15 anos, deixar de, pelo menos, enxergar essas frestas e brilhos e me aprofundar em um c閡 ainda mais escuro e ser por ele engolida.

Apesar do meu medo, cabia a mim enfrentar a tempestade. N鉶 esperei ser tragada por ela, escolhi entrar nela e atravess�-la.

Por vezes, vi que a carga das nuvens era maior do que eu podia supor. No n鷆leo delas, enfrentei raios, trov鮡s, me feri, senti dores at� ent鉶 anestesiadas.

Percebi que as nuvens espessas tinham me ocupado, impedindo que eu fosse aquilo que eu queria ser, mantendo-me como aquilo que queriam que eu fosse. Trov鮡s ecoavam em mim e silenciavam desejos e vontades.

Romper sil阯cios assusta. N鉶 h� certeza do que ouviremos. De in韈io, sussurros. Inaud韛eis, parecem ter desistido de ter voz, soterrados em meio � tormenta.

Ouvir o silenciado, amplia as frestas para o sol. Elas se abrem aos poucos, n鉶 mais iluminando apenas os outros, mas aquecendo, de in韈io com sutileza, aquele corpo acostumado em n鉶 existir.

O inverno severo se refaz em momentos de outono. N鉶 segue as regras da natureza para a troca das esta珲es, obedece a possibilidade de tornar cinza claro um c閡 que j� foi chumbo.

Em um c閡 mais claro, o sol come鏰 a encontrar espa鏾s. Esses espa鏾s se ampliam, j� h� a possibilidade de algo germinar sem se ver devastado por enxurradas. Elas ainda existem, mas n鉶 persistem.

Solo molhado, mas n鉶 encharcado, sementes espalhadas, sol se fazendo mais presente v鉶 colorindo o caminho. Se as cores s鉶 desconhecidas, elas encantam, embora, 鄐 vezes, o desconhecimento nos leve a arranjos n鉶-harm鬾icos. D� para refazer, sem precisar destruir ou desistir.

Em algum momento chega o ver鉶. Cores explodem, a vida reinaugura, o sol se amplia.

Hoje, nesse dia frio, nublado, de nuvens cinzas e pesadas sei que o escuro est� no dia. H� em mim um sol que se desnuda e se v� forte o suficiente para encerrar o processo, de mais de ano, de alta da terapia.

Sei que haver� tormentas, sol, trov鮡s, c閡 claro, dias nublados, mas eles n鉶 permanecer鉶 em mim. Ser鉶 travessia, trilha, vida em explos鉶.

Admiro e sou muito grata � profissional que me acompanhou nessa jornada.

Tenho orgulho do caminho que percorri at� chegar a este momento ensolarado nesse dia t鉶 escuro.


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Maria Avelina Fuhro Gastal

E-mail: avelinagastal@hotmail.com

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