Maria Avelina Fuhro Gastal
N鉶 h� como pensar na inf鈔cia sem imaginar um mundo de magia.
Drag鮡s existem, e voam, sapos falam, 醨vores conversam entre si, fadas realizam sonhos, ratos s鉶 fofinhos, costuram, bordam, faxinam, cozinham como ningu閙, peixinhos s鉶 aventureiros, sereias s鉶 inconformadas, meninos vencem o mal, meninas cantavam como p醩saros e, hoje, s鉶 guerreiras que simbolizam a paz e a uni鉶 entre diferentes culturas, s鉶 corajosas, autossuficientes, n鉶 se concentram em casamento com um pr韓cipe encantado e contestam o destino de esposa e m鉫s.
Os cen醨ios s鉶 lindos e buc髄icos. Animais e pessoas dividem ambientes, tarefas, miss鮡s. O desrespeito � natureza � condenado. A vida vale pela luta entre o bem e o mal. No mundo m醙ico, o mal � vencido.
Em nosso mundo real h� um reino m醙ico onde n鉶 h� nenhum compromisso com a derrota do mal. Nem todos t阭 acesso a ele, somente os 揵em-nascidos�, provenientes de 揻am韑ias do bem� que tem estreito conluio com as esferas de poder.
Nesse reino m醙ico da vida real vai-se al閙 da maldade. Normaliza-se a crueldade denominando-a de incidente. N鉶 h� igualdade. O pressuposto b醩ico � a superioridade, que outorga direito de infringir mal a outros, pessoas ou animais, porque s鉶 inferiores, portanto, pass韛eis de ataque, sev韈ias e exterm韓io.
Maltratar animais, torturar com crueldade um cachorro, deix�-lo agonizando, viver como se nada tivesse acontecido e voar para a Disney n鉶 s鉶 揷oisas de crian鏰s�. Coisas de crian鏰s s鉶 birra, manha, teimosia, brabeza, arte, desobedi阯cia, pequenos 損itis� sem ferir aos outros com inten玢o.
Contra coisas de crian鏰s, presen鏰 dos pais, atitudes firmes, aux韑io na regula玢o das emo珲es infantis, demonstra玢o de amor seguro, mas n鉶 complacente.
Ningu閙 mais � crian鏰 aos 16 anos. H� muito o outro j� deveria estar presente na vida como singularidade, n鉶 como simples objeto de prazer e gozo. Se sentir imortal aos 16 anos n鉶 � o mesmo que se sentir t鉶 poderoso a ponto de ferir o outro.
Se na inf鈔cia a presen鏰 dos pais � fundamental, na adolesc阯cia ela � crucial. Limites devem ser tra鏰dos, atos devem ter consequ阯cias.
Quando fam韑ia, sociedade, autoridades se unem com base nas esferas de influ阯cia, no extrato banc醨io, nos bens materiais, no sobrenome, no status social para blindar atos de extrema crueldade praticados por adolescentes de 16 anos, todos n髎 estamos desprotegidos.
Os rapazes, como menores de idade, devem ser protegidos como prev� o ECA, sem publica玢o de dados que permitam a identifica玢o, sem exposi玢o de fotos. Protegidos, mas n鉶 blindados. Precisam encarar, assumir e responder pelas suas a珲es, sob pena de, em alguns anos, expandirem sua crueldade contra outros animais, contra suas namoradas, companheiras ou ex, contra crian鏰s, contra quaisquer uns que n鉶 sejam eles pr髉rios. E far鉶 isso com o aval da sociedade privilegiada que passou a m鉶 nas suas cabe鏰s como se eles tivessem 揳penas� chutado um cachorro.
Chutar um cachorro j� seria pass韛el de processo. O que eles fizeram n鉶 tem palavra que defina, mas h� lei que tem que ser cumprida.
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