Maria Avelina Fuhro Gastal
N鉶 vesti branco, n鉶 pulei ondinhas, n鉶 brindei, n鉶 comi lentilha nem porco nem uvas.
Por d閏adas fiz tudo conforme o manual da virada, n鉶 enriqueci, n鉶 evitei transtornos, Caetano n鉶 trocou a Paula Lavigne por mim.
Para n鉶 arriscar demais, usei amarelo j� que diziam ser a minha cor do ano, conforme c醠culos da Internet. Cor e signo parecem que ser鉶 meus aliados do ano.
Nada de grandioso quero em 2026. Os detalhes compor鉶 o ano que se inicia.
Quero olhos para enxergar o belo, para ver o dia raiar e se por, para ver estrelas bailando e seduzindo a lua, para ver a flor brotar e a 醨vore amarelar, para ver as cores do mundo, para ver crian鏰s brincando, jovens se descobrindo, adultos se encontrando, idosos fazendo planos e sorrindo.
Quero olfato para sentir o aroma de um bolo assando, de uma comida sendo preparada, de uma casa limpa, de um corpo perfumado.
Quero paladar para provar o novo, para apreciar o conhecido.
Quero ouvidos para ouvir os p醩saros, o vento soprando entre as frestas, o riso das pessoas, as palavras de carinho, de esperan鏰, de conforto, os sussurros envergonhados, as can珲es eternizadas, as celebradas, as promissoras, a chuva mansa e as trovoadas, os segredos compartilhados, os desejos encarcerados.
Quero pele para sentir o afago, se entregar no abra鏾, arrepiar no aconchego.
Quero ousadia para enfrentar temores.
Quero encontros marcados, e, tamb閙, os inesperados.
Quero estar aberta � vida, sem nada esperar, mas fazendo de cada momento banal uma conta de brilho que fa鏰 o cotidiano reluzir.
N鉶 quero ceder ao medo, amputar sonhos, ignorar desafios.
N鉶 quero a obriga玢o de ser feliz nem a impossibilidade de estar triste.
Quero que cada um de n髎 possa resistir � melancolia, superar desgostos, encontrar a justa medida de uma vida que vibra, que se empolga, que se entrega ao detalhe.
Por fim, quero que o Caetano saiba que eu ainda estou aqui.
Clique aqui para seguir esta escritora
Pageviews desde agosto de 2020: 578345
Site desenvolvido pela Editora Metamorfose