Maria Avelina Fuhro Gastal
Antes que setembro termine, confesso que, apesar de ter nascido e vivido no Rio Grande do Sul toda a minha vida, falho em diversos requisitos que definem uma ga鷆ha ou ga鷆ho.
Do chimarr鉶, s� gosto da roda de conversa; do sagu, s� o creme de baunilha. Suco de uva, passo batido. Geleias e chimia, substituo por requeij鉶 cremoso light.
No churrasco, dispenso a costela e a salada de maionese, tenho 醙ua na boca com legumes na grelha, entrec魌e mal passado e abacaxi assado com canela. Mocot�, nem sob tortura; toucinho e torresmo nem que me paguem.
Troco qualquer m鷖ica gauchesca por uma MPB de qualidade; fandango por forr�.
Uma das maiores alegrias na aposentadoria foi saber que nunca mais teria que por os p閟 na Expointer ou no Acampamento Farroupilha.
Campo, pasto, cheiro de gado, de cavalo, de esterco n鉶 me trazem orgulho de ser ga鷆ha. Prefiro aromas c韙ricos em pequenas embalagens ou florais em grandes planta珲es de flores, aqui ou em qualquer lugar do mundo.
Do ga鷆ho macho t韕ico quero dist鈔cia. N鉶 sou prenda, nem vaca nem 間ua para ser tratada com esporas e me curvar � vontade do senhor.
O bairrismo ga鷆ho beira o rid韈ulo. A fixa玢o em ser diferente, um outro pa韘, para mim, s鉶 sinais de um egocentrismo desmedido, que confunde viol阯cia com fa鏰nhas. Estampa na bandeira do Estado, a mesma desde 1835, as palavras Rep鷅lica Rio-Grandense, ignorando sermos parte de algo maior.
Trago o ran鏾 ga鷆ho, em sentido contr醨io ao esperado. Abomino nossa sociedade preconceituosa, machista, homof骲ica, racista e conservadora.
Poder韆mos ser t鉶 mais orgulhosos de nossa terra se enfrent醩semos nossas fraquezas e fiz閟semos disso nossa maior virtude.
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