Maria Avelina Fuhro Gastal
Nem sempre as hist髍ias infantis come鏰m com 揈ra uma vez�.
Elas v鉶 al閙 de castelos, princesas, pr韓cipes, bruxas, madrastas m醩 e florestas encantadas.
Al閙 da fantasia, crian鏰s vivem uma realidade e, na maioria das vezes, n鉶 t阭 recursos para lidar com ela, mas a percebem e a sentem.
� na tentativa de auxiliar a lidar com sentimentos, temores, dores, sofrimento e sentimentos antag鬾icos das crian鏰s e no respeito ao prazer e import鈔cia do brincar e fantasiar que a literatura infanto-juvenil me fascina.
N鉶 falo daqueles livros que pensam os pequenos como como recept醕ulos de conselhos e palavras de 搒abedoria� adulta. Refiro-me 鄎ueles que usam palavras, imagens e ritmos que permitem espa鏾s de identifica玢o.
Um livro infantil n鉶 se encerra na 鷏tima frase. Ele permanece sendo recontado pela crian鏰 da forma que lhe faz sentido, sem que tenhamos que definir um guia de leitura.
A hist髍ia est� na ilustra玢o, nas palavras escolhidas e nas omitidas, nos sil阯cios e nos vazios a serem preenchidos pelas crian鏰s.
N鉶 h� tema proibido, o importante � a forma de abord�-lo.
A morte � algo que evitamos de falar com os pequenos, mas bichinhos de estima玢o morrem, familiares morrem, amigos podem morrer. A morte est� na vida. 揙 pato, a morte e a tulipa� mostra o quanto se pode desfrutar da vida mesmo que a morte nos fa鏰 companhia.
揙nde vivem os monstros� brinca com o conflito sobre a liberdade desejada pela crian鏰 nas suas escolhas e a autoridade exercida pelos pais.
揈rnesto�, por ser diferente, escuta muitas coisas que o deixam solit醨io. Cabe � crian鏰 que l�, ou ouve a hist髍ia, fazer algo para que Ernesto se sinta melhor, mas tamb閙 perceber o quanto ela pode deixar solit醨io algu閙 que n鉶 � igual a ela ou perceber o quanto se sente solit醨ia por ser quem ela �, diferente dos demais em algo.
揂d閘ia� mergulha no prazer da leitura de forma l鷇ica e fantasiosa, fazendo com que Evelyne descubra sua nova amiga.
S鉶 tantos livros maravilhosos que eu poderia fazer uma lista enorme. Livros que brincam com a crian鏰, exploram sua criatividade, acolhem suas d鷙idas e temores, respeitam sua forma de ver o mundo e a sua possibilidade de entender a vida, por vezes t鉶 assustadora para elas.
H� algumas semanas, li o livro recebido por minha neta no m阺 passado da assinatura do Clube Quindim que fiz para ela ao nascer. Sim. J� vieram pilhas de livros de acordo com a fase de desenvolvimento em que ela est�. Muitos lemos juntas, relemos diversas vezes, outros peguei emprestado de t鉶 encantada que fiquei, alguns est鉶 na minha casa, a maioria na casa dela e hoje s鉶 lidos para o irm鉶 menor. Ela indica algumas das leituras que acredita que ele vai gostar.
O t韙ulo do livro que li � 揂 garrafa do papai�, de Artur Gebka, ilustra玢o de Agata Dudek, tradu玢o de OlgaBaginska-Shinzat, Editora Piu. Fui uma crian鏰 filha de alcoolista, meus filhos tiveram um pai alcoolista, nem eu nem eles encontramos algo que representasse t鉶 bem o que era por n髎 vivido. Enquanto a hist髍ia traz os sentimentos de medo e vergonha que v鉶 crescendo, a ilustra玢o demonstra o 醠cool se espalhando por toda a experi阯cia vivida pela fam韑ia. � do韉o e lindo. Com mais de 60 anos encontrei em um livro infanto-juvenil a perfeita descri玢o de um sentimento que permanece. No livro fica a esperan鏰 de um recome鏾 sem 醠cool. Eu vivi essa possibilidade, meus filhos n鉶. Mas penso importante que o livro aponte para a chance de uma recupera玢o, pois o que realmente importa nele � a possibilidade de n鉶 se ver como 鷑ico a estar em uma situa玢o t鉶 sofrida.
No fim, todos dever韆mos ler bons livros infanto-juvenis, refletir e agir de acordo com o que a narrativa nos desperta em vez de nos armarmos com li珲es de moral que n鉶 encontram reciprocidade nas nossas a珲es.
Nossas vidas s鉶 repletas de 揈ra uma vez�. Contar, recontar, narrar nossa hist髍ia e as que nos acompanham � permanecer e avan鏰r al閙 de n髎, transformando o legado em constru玢o familiar e social.
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