Alvo


Maria Avelina Fuhro Gastal

Mais um oito de mar鏾.

Dia consagrado � exacerba玢o do mimimi insuport醰el de feministas.

Para que um dia dedicado 鄐 mulheres? Parem de reclamar, isso � falta do que fazer.

Se tem tempo sobrando para encher a paci阯cia, vai fazer algo de 鷗il. Limpa a casa para ficar, pelo menos, apresent醰el. Faz uma gin醩tica para ver se perde essa barriga rid韈ula. Pinta os cabelos para tapar essa raiz, tira esse esmalte lascado e faz as unhas, depila as pernas que est� nojento, capricha no jantar para n鉶 termos que comer gororoba de novo. Tarefas n鉶 faltam, tanto tempo fora de casa d� nisso, desleixo, bagun鏰 e desorganiza玢o. Se voc� parar de reclamar do trabalho, do sal醨io, de mim vai ter tempo de sobra para cumprir suas obriga珲es.

Cansada de ser olhada como objeto, apalpada no 鬾ibus, na rua, de ouvir cantadas nojentas? Muda de postura. Veste algo mais decente, n鉶 fique se oferecendo, mostrando que tem corpo. Se voc� se exibe, aguente as consequ阯cias. N鉶 provoque e n鉶 ser� incomodada. C� pra n髎, � bom para o ego ouvir certos elogios e receber olhares de cobi鏰.

Um bando de mal-amadas, malcomidas, invejosas, sapat鮡s destilando 骴io. Se esquentassem a barriga no fog鉶, a esfriassem no tanque n鉶 teriam tempo para ficar reclamando de tudo. Pobres homens, n鉶 podem nem elogiar mais com medo de serem acusados de ass閐io. O 搉鉶� � charminho. Se fazer de dif韈il valoriza o passe e apimenta a rela玢o. Qual mulher n鉶 sonha em ser dominada e possu韉a por um homem que sabe o seu lugar, e o nosso.

Homens e mulheres personalizem as situa珲es descritas. Coloquem em cada par醙rafo o nome de uma mulher importante na sua vida, seja a m鉫, a companheira, a filha, a neta, uma amiga. Ainda pensariam da mesma maneira? Claro que sempre h� a possibilidade de isso lhe trazer mais tes鉶. Comida caseira tem seu valor.

Imagine essa mulher especial sendo desrespeitada, assediada, bolinada, apalpada, estuprada, apanhando, tendo medo nas ruas, no trabalho, em casa. Sendo acusada de provocar porque tem corpo, tem bunda, tem pernas, tem seios, porque sorriu, piscou, respirou, porque vestiu uma saia, uma cal鏰, um vestido, uma blusa, uma burca, um h醔ito, um trapo qualquer.

Por que a mulher com nome, com rosto faz com que voc� se horrorize com situa珲es que aceita, e at� reproduz? Quando n鉶 d� a ela uma identidade, uma hist髍ia a desumaniza e a reduz a um ser inferior pass韛el de todas as agress鮡s e discrimina珲es?

O que voc阺 chamam de mimimi s鉶, na realidade, den鷑cias. Se ainda assim voc� acha exageradas, converse com as mulheres da sua vida, escute seus medos, seus traumas, suas dores.

Se ainda assim n鉶 mudar de opini鉶, n鉶 reclame no pr髕imo dia 8 de mar鏾, ele existe para proteger as mulheres de pessoas como voc�.






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Maria Avelina Fuhro Gastal

E-mail: avelinagastal@hotmail.com

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