Maria Avelina Fuhro Gastal
N鉶 estiv閟semos em 2025, dir韆mos que, hoje, primeiro de mar鏾, o ano estaria come鏰ndo. � s醔ado de Carnaval. Nada s閞io come鏰 no Carnaval, seja o ano ou o amor. Somem-se ao s醔ado os pr髕imos tr阺 dias e meio de folia, dois dias e meio de espera pelo pr髕imo fim de semana, enterro dos ossos ou profundo repouso para recuperar a energia, aliviar as dores nos p閟, lombar e cabe鏰, se desculpar pelo excesso.
Logo, 2025 come鏰r� em 10 de mar鏾.
Nesses sessenta e poucos dias, a maioria trabalhou sob sol escaldante, suportou transportes superlotados, sem refrigera玢o, bateu ponto, cumpriu prazos e metas, fez malabarismo para honrar boletos, enlouqueceu com as crian鏰s sem escola e com os filhos adolescentes que, sem nem saber nadar, colocam pranchas embaixo do bra鏾 e rumam ao litoral.
A vida acontece nesse intervalo de tempo suspenso entre o Ano Novo e o in韈io do ano. Talvez seja o sol, os dias longos, as roupas leves, o chopp gelado, as rodas de samba, o convite constante para estarmos na rua, os ensaios das escolas de samba, as farofadas de fins de semanas, os banhos de piscina, balde, mangueira ou de chuva que nos fazem viver um per韔do dist髉ico em que a dureza da vida fica obscurecida pelo prazer de viver.
E, al閙 do Carnaval, temos a cerim鬾ia de premia玢o do Oscar. � o encontro necess醨io do pa韘 com a sua verdade. Surdos, atabaques, tamborins e pandeiros, repiques, caixas de identidade d鉶 o ritmo de uma cultura diversificada com ra韟es ind韌ena, europeia e africana. Somos a conjun玢o de origens, cren鏰s, culturas e nossa pureza est� em se orgulhar dessa diversidade. Fomos um povo silenciado, torturado e assassinado pelo Estado, com a aquiesc阯cia de importante parcela da sociedade civil. Sambas enredo e cinema nacional mostram o Brasil que tantos insistem em negar.
Eles ainda est鉶 aqui. Batem em foli鮡s na Cidade Baixa (Porto Alegre), pedem por anistia, chamam de narrativa as suas mentiras, achincalham o pa韘 no exterior, clamam pela for鏰 do imperialismo americano sobre n髎, desejam a morte de um Papa.
N髎 ainda estamos aqui. Brincamos o Carnaval, torcemos pelo cinema nacional, acreditamos na diversidade, respeitamos a vida, prezamos a democracia. Se voc� � negro, mulher, pobre, trabalhador, gay, nordestino, agricultor, imigrante, aposentado, professor, canhoto, emp醫ico, ou qualquer outra coisa diferente do que aquilo que eles consideram normal, cuidado, voc� pode se pensar com eles, mas eles jamais ter鉶 escr鷓ulos em se livrar de voc�.
O ano que come鏰r� no dia 10 n鉶 ser� f醕il, mas teremos a chance de n鉶 sermos mais um povo e um pa韘 que acoberta golpistas e torturadores.
At� que 2025 comece, viva os pr髕imos dias com intensidade e alegria.
Leve para o ano que inicia a energia positiva para lutar pela verdade, pela diversidade e contra a mentira.
Muito ax� e, de lambuja, uma estatueta dourada que est� deixando eles enlouquecidos.
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