Maria Avelina Fuhro Gastal
Recebido o aut骻rafo, comecei a folhear o livro. Sou daquelas que j� bisbilhota as p醙inas enquanto aguarda na fila.
Aquele livro em especial mexia com a minha curiosidade, do in韈io ao fim, s� aforismos. Juremir Machado diz que toda cr鬾ica boa pode ser reduzida a uma s� frase. Isso � o aforismo.
Se escrever uma boa cr鬾ica j� � um desafio, colocar em uma frase toda ideia e brotar dela um efeito no leitor � tarefa para poucos.
Na p醙ina 09, primeiro aforismo, j� sorri e aplaudi a grande sacada do escritor; na p醙ina 10 guardei o sorriso e n鉶 consegui ir adiante, n鉶 naquele momento. Anos de an醠ise resumidos em uma frase que provocou em mim mais insights do que em qualquer sess鉶 de terapia, a um custo infinitamente menor.
揅aiu em si. Ergueu-se outro.� (Rubem Penz).*
A cada queda buscamos a pedra, a falha ou irregularidade que nos fez trope鏰r, as flores ou folhas que nos fizeram escorregar, jamais pensamos na nossa forma de pisar, na nossa aten玢o ao trajeto, na nossa incapacidade de manter ou recuperar o equil韇rio. Levantamos iguais para continuar trope鏰ndo, escorregando, desatentos e com pouco equil韇rio e, em algum momento, ca韒os de novo.
Sem cair em si mesmo, as quedas transformam-se em ressentimentos. Deixamos de ouvir, de tentar compreender, de admitir o que em n髎 contribuiu para o trope鏾, para a escorregada que fez com que o equil韇rio faltasse. Acusamos. Alimentamos m醙oas. Ferimos e somos feridos. Insistimos em lembrar de algo que teve seu momento no passado, garantindo em manter no caminho a pedra que n鉶 nos permite erguemo-nos outro.
Somos fal韛eis. Erramos, nos atrapalhamos. N鉶 podemos ser condenados por um tempo sem fim. Recolhemos a pedra do caminho para atir�-la contra o outro. Insistimos em reviver e machucar. Continuamos os mesmos.
Um aforismo. Uma queda. Muitas possibilidades em si.
*Aforistas gra鏰s a Deus. Rubem Penz. 2023. Selo Balc鉶. Santa Sede Editorial.
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