Contrastes e trastes humanos


Maria Avelina Fuhro Gastal

Chegamos ao 鷏timo dia de mar鏾 com a sensa玢o de que ele durou uma eternidade. O primeiro dia de abril s ser a continua玢o de um per韔do que parece n鉶 ter fim.

N鉶 estamos vivendo em um eterno domingo. Falta a perspectiva de uma segunda-feira. Estamos em um tempo suspenso, envolvidos em uma luta para sobreviver em um mar revolto, sem um capit鉶 que possa exercer o papel que lhe cabe. No barco que ocupamos n鉶 h lugar para todos. Alguns n鉶 hesitam em chutar para fora aqueles que nunca tiveram a chance de aprender a nadar. Passaram a vida com a cabe鏰 para fora d掅gua, debatendo-se para n鉶 afundar. Agora, algu閙 for鏰r a cabe鏰 deles para dentro. Morram r醦ido para que possamos voltar para as nossas vidas.

Duas frases ao longo do m阺 de mar鏾 me acompanhar鉶 para sempre. T鉶 antag鬾icas, quanto complementares. Trazem entre si o contraste que vivemos e os trastes que podemos ser.

揚odemos n鉶 ter muito, mas tudo o que temos dividimos entre todos.

揈u pago o teu sal醨io.

A primeira ouvi em Havana, de um motorista de taxi. A segunda li fixada em um dos carros que participava da carreata pelo fim do isolamento social para conter o avan鏾 da Covid-19.

Esque鏰m, por um tempo, pelo menos at o fim deste texto, as palavras petralhas, petezada, bolsom韓ios, comunistas e fascistas. N鉶 disso que estou falando.

Falo de pessoas e da vis鉶 que temos do outro. Falo de empatia e solidariedade. Falo de coes鉶 e prote玢o vida. Falo de respeito e dignidade.

Todos queremos nossas vidas de volta. As vidas que temos t阭 um abismo de diferen鏰s. Mas h coisas em comum. Todos queremos continuar vivos. Todos queremos que nossos afetos continuem vivos. Todos tememos a amea鏰 que vivemos. Nem todos v鉶 ter seus desejos atendidos. Perderemos familiares, amigos, conhecidos. Ou eles nos perder鉶. N鉶 sabemos. Mas n鉶 podemos perder a nobreza de sermos humanos. Se por um tempo tivermos que viver com muito menos, ainda assim teremos lucrado ficando vivos e n鉶 empurrando ningu閙 para a morte.

Existe um sem n鷐ero de iniciativas para auxiliar quem j vive em situa玢o absurda, agravada pela amea鏰 do Coronav韗us. Cada um de n髎 pode buscar aquela que entender ser a mais apropriada para contribuir. Estamos, e devemos permanecer, em casa, mas n鉶 estamos isolados do mundo, a n鉶 ser que tenhamos optado por isso.

O que seremos durante este per韔do t鉶 assustador escolha nossa. Quem somos na vida escolha nossa. Eu escolho n鉶 ser um traste.


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Maria Avelina Fuhro Gastal

E-mail: avelinagastal@hotmail.com

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